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Mercado mais aquecido para frete agrícola no início de 2018

12 JAN 2018
12 de Janeiro de 2018
Os fretes para os produtos agrícolas devem ter, ao longo do próximo ano, comportamento não muito diferente do visto em 2017 , à exceção do começo de 2018 quando o transporte de grãos e açúcar deve ficar mais aquecido. Segundo cálculos do EsalqLog, grupo de pesquisa e extensão em logística da Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz, o frete dos grãos deve alcançar patamares mais elevados no começo de 2018, mas o movimento deve perder força a partir de maio. A expectativa é que as pressões diminuam com o passar dos meses até chegar a reajustes negativos no segundo semestre.
Segundo os pesquisadores, o atraso no plantio de soja da safra 2017 /18 em decorrência de problemas climáticos deve causar um aquecimento nos preços do frete no começo do ano, com o pico em abril. Mas haverá um resfriamento depois disso. “A soja deverá ser colhida em menor espaço de tempo e para tirá-la das fazendas, os produtores terão que pagar mais pelo frete. Como o mercado agora está aquecido, porque ainda estamos escoando açúcar e milho, os valores irão subir, com o pico calculado para abril”, afirma Samuel da Silva Neto, economista e pesquisador da EsalqLog.Conforme as estimativas, o valor do transporte entre Sorriso, principal cidade produtora de soja do país, e Rondonópolis, onde fica o terminal de transbordo ferroviário de Mato Grosso, será de R$ 120,48 por tonelada, 22% mais que no mesmo mês de 2017 (ver gráfico).Depois desse período, os preços tendem a arrefecer, caindo a partir de julho. O principal motivo é que a demanda para transporte de milho deve ser menor. “O mercado espera uma queda na produção de milho de inverno (safrinha), e a necessidade de caminhões e vagões será menor, por isso essa redução nos preços”, diz. Além disso, segundo Silva Neto, o milho produzido na safrinha deve ficar apenas no mercado interno, o que historicamente não pressiona o preço dos fretes. Como decorrência desse quadro, o valor previsto para o transporte de milho entre Sorriso e Rondonópolis em novembro é de R$ 110, queda de 8% em relação ao mesmo período do ano passado.
O comportamento da safra de grãos também vai influenciar os valores do frete para insumos. Diante de uma expectativa de queda da safrinha de milho, haverá menor necessidade de defensivos e fertilizantes no começo do ano e isso reduzirá a demanda por caminhões, ao contrário do que ocorreu neste ano.
A escala de compra dos insumos também deverá ser mais alongada a não ser que os preços do milho deem um salto e os produtores mudem sua estratégia. “Não vemos mudanças bruscas ocorrendo”, resume Nathan Gomes da Silva, também pesquisador da EsalqLog. No segundo semestre, com a provável manutenção de estimativas para o plantio de soja em 2018/19, o frete deve ficar estável. Para os fretes do açúcar, a expectativa é que não haja grandes alterações no ano, diante das perspectivas de manutenção ou queda da produção.
Com estoques grandes e previsão de superávit mundial, as usinas devem se dedicar ao etanol em 2018/19, o que assim como o milho não pressiona o frete porque fica no mercado interno”, afirma Silva Neto. A Conab prevê que a produção de açúcar neste ciclo fique em 39,461 milhões de toneladas, alta de 2%. Ainda não foram feitas estimativas para 2018/19.  único mês fora da curva para o frete de açúcar deve ser janeiro. “Em janeiro de 2017 foi registrado o menor valor em cinco anos para o transporte de açúcar porque, com a quebra da safra de milho de 2016, não havia concorrência para os caminhões. Então, vemos apenas uma retomada dos patamares normais agora, o que dará uma diferença percentual grande na principal rota. Mas não é uma surpresa”, afirma o pesquisador Gabriel Detoni
As informações são do jornal Valor Econômico, resumidas pela Equipe MilkPoint.
Fonte: Valor – SP
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