Entrevista: DAF quer dobrar número de clientes e ampliar rede.

21 MAI 2019
21 de Maio de 2019
Prestes a completar quatro anos na direção comercial da DAF, Luis Gambim comanda um time que fez as vendas crescerem 429% neste período e quer muito mais.

Com mais de 20 anos de experiência no mercado de caminhões, Luis Antonio Gambim está há frente da direção comercial da DAF Caminhões, com sede em Ponta Grossa (PR), desde junho de 2015. O executivo assumiu a função em pleno início de uma das maiores crises econômicas brasileira. Naquele ano, a DAF emplacou 443 caminhões. Em 2018 foram 2.344 unidades licenciadas, um crescimento de 429%. Em visita à sede da GG Mídia, editora que publica as revistas TRANSPORTE MUNDIAL, “O Carreteiro” e “Transpodata”, o executivo concedeu entrevista a seguinte entrevista:

TRANSPORTE MUNDIAL • Qual sua avaliação desses cinco anos da DAF no Brasil?
Luis Gambim • Chegamos em 2011 com intenção de montarmos fábrica e rede de concessionárias de forma muito positiva e rápida. Em outubro de 2013 já tínhamos nossa moderna fábrica na cidade de Ponta Grossa, no Paraná. Dois anos depois, no mesmo outubro, saia de nossa linha de montagem o primeiro XF105 produzido no Brasil. Assumimos um compromisso com o País e com futuros cliente e cumprimos à risca. Estruturamos a rede de concessionárias, lançamos novos produtos e, ano a ano, estamos praticamente dobrando nossa produção. Os clientes têm boa percepção de nossa seriedade e, especialmente, da qualidade de nossos produtos e serviços. Em 2015 lançamos nossa cabina superspace e também o caminhão de entrada, o CF85. Nos últimos dois anos estamos dobrando nossas vendas. Tudo isso demonstra que estamos no caminho certo.

TM • Qual a frota circulante de DAF no País atualmente? 
Gambim • São mais de cinco mil caminhões. A frota DAF já tem boa visibilidade em todo o País e o principal de tudo, a aceitação de nossos caminhões pelos frotistas só vem crescendo. Baixo consumo de combustível, alta disponibilidade do produto e o apoio de nossa rede de concessionárias têm sido pilares fundamentais para o sucesso de nossa operação no Brasil.

TM • Vocês chegaram ao Brasil na euforia do mercado, mas em seguida foram tragados por uma das maiores crises econômicas. Em algum momento a matriz se arrependeu de ter tomado a decisão de produzir no País? 
Gambim • Foi um momento muito difícil, mas jamais houve qualquer tipo de arrependimento. A empresa começou realmente na euforia do mercado e logo no ano que o primeiro caminhão foi fabricado aqui, em 2015, já estávamos todos enfrentando a grande crise. Claramente nos preparamos para um mercado nacional em expansão, mas inesperadamente nos deparamos com uma realidade bem adversa. Contudo, o Grupo Paccar tem mais de 100 anos de experiência no mundo, sabemos que há ciclos de expansão e depressão nas economias de todo o mundo e nossos planos sempre serão de longo prazo. O Grupo Paccar se orgulha de dar lucro por 80 anos seguidos no mundo, temos uma base financeira muito bem estruturada e sem dúvida alguma vamos permanecer no Brasil e aqui também teremos uma operação lucrativa em breve.

TM • Como está a rede DAF hoje? Quantas casas vocês têm?
Gambim • Desde que chegamos aqui, em 2011, estruturar uma rede de alta qualidade sempre constou entre nossas prioridades. Nossa rede foi montada para prestar serviços e atender uma demanda alta por caminhões. Certamente sofremos muito com a crise econômica, mas não seria correto montar uma rede pensando em um mercado em crise. Temos que pensar em um mercado saudável e em expansão. Temos 21 revendas plenas, aquelas que oferecem uma estrutura de alto padrão, com showroom e boxes de serviços. E temos mais 11 postos de serviços. Ao todo são 32 postos de atendimento. Neste ano vamos crescer 20% a rede. E pretendemos crescer 20% no ano que vem. Nossa intenção é dobrar o tamanho da rede nos próximos quatro ou cinco anos.

TM • Qual a diferença entre os caminhões DAF XF e CF?
Gambim • A grande diferença é a cabina. A cabina do XF é a maior cabina do mercado, oferecemos, por exemplo, a megaspace. Já os caminhões da família CF têm uma cabina menor. O trem de força, motor, caixa e diferencial é o mesmo para ambos. Hoje 70% de nossas vendas é XF. A diferença é aplicação mesmo. O XF é um produto de maior potência, mais orientado para longas distâncias e o CF para médias distâncias. Mas ambos são veículos extrapesados, robustos e que oferecem alta qualidade.

TM • O mercado começou a reagir no ano passado e vai crescer neste ano. Vocês querem 10% deste mercado, certo?
Gambim • Certamente que trabalhamos para oferecer aos frotistas brasileiros veículos de alta qualidade. Queremos sim atingir a marca de 10% e seguir crescendo. Esperamos que o mercado de pesados neste ano seja de cerca de 43 mil caminhões e estamos prontos para dar respostas rápidas ao aumento da demanda. Estamos totalmente preparados, tanto na fábrica como na rede, para crescermos sem abrir mão da qualidade de nossos produtos e serviços.

TM • Qual sua análise sobre a economia do Brasil atualmente? 
Gambim • Tenho visitado bastante clientes e há um otimismo com relação ao crescimento. Acreditamos que vamos entrar em um outro ciclo de prosperidade. Há medidas importantes que precisam ser aprovadas e ainda é cedo para arriscarmos uma projeção de como será essa expansão da economia brasileira. Mas a DAF está muito bem posicionada. Em 2018 dobramos nosso número de clientes em relação a 2017 e acreditamos que, neste ano, vamos dobrar novamente.

TM • E para Fenatran deste ano, a DAF vai apresentar novidades?
Gambim • De 2011 em diante, sempre participamos deste importante evento e sempre mostramos novidades. Para este ano não vai ser diferente, mas ainda não temos como antecipar. Tivemos uma participação muito importante em 2017, com recorde de vendas. Fechamos cerca de 70% dos pedidos de intenção de compra feito durante o evento. E como esperamos crescimento dos negócios neste ano em relação à última Fenatran, acreditamos que vamos bater novo recorde lá.

Texto: Mauro Cassane. Colaboração: João Geraldo

Fonte: transportemundial.com.br   

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